Quanto tempo os bebés / crianças devem ver televisão?

Os pais colocam várias perguntas importantes: Quando tempo os bebés / crianças devem ver televisão por dia? Ou jogar videojogos?

Os ecrãs estão por todo o lado: telemóvel, ipad, tablet, consola, TV, computador portátil. Muito adultos estão sempre agarrados a eles e captam a atenção das crianças desde tenra idade.

Podemos encarar os ecrãs como um divertimento, o que não é negativo. Por vezes ajudam a acalmar crianças pequenas ou a gerir tempos de espera em que não há mais nada para fazer. 

Alguns jogos parecem até estimulantes para o raciocínio. Ensinam letras, formas, cores ou inglês. As crianças aprendem com uma rapidez assombrosa e descobrem novas funções.

Contudo, existem boas razões para controlar o tempo de ecrã. O desenvolvimento das crianças e jovens é um processo altamente complexo, com muitas facetas e beneficia muito com a variedade de estímulos e experiências.

Na generalidade, os ecrãs representam um estímulo muito pobre: são utilizados de forma solitária, com pouca ou nenhuma verbalização, pouca ou nenhuma interação com outras pessoas. Por este motivo, não surpreende que os estudos científicos mostrem associação de maior tempo de ecrã com menor desenvolvimento na linguagem e maior risco de défice de atenção. Por vezes, observam-se crianças pequenas com comportamentos do espectro do autismo que passam muito tempo em atividade solitária de ecrã, cada vez mais isoladas do mundo exterior.

Pelo contrário, as experiências do mundo real, não virtuais, têm muito maior riqueza e diversidade de estímulos em simultâneo. Permitem explorar as potencialidades de movimento do corpo, de movimentos finos de todos os dedos, resolução de problemas reais, desenvolver a criatividade, aprender a entender e comunicar com pessoas de verdade, lidar com a frustração, compreender o mundo, descobrir outras fontes de prazer e de satisfação.

As recomendações da Academia Americana de Pediatria têm sido revistas e são equilibradas:

  • Do nascimento aos 18 meses – não se recomendam ecrãs (exceto para comunicar com os avós por videochamada). Canais como o “Baby TV” são uma aberração. Deixar uma crianças com um ecrã mais do que o tempo da mãe preparar uma refeição representa maus tratos!
  • Dos 18 meses aos 2 anos – podem ser introduzidos ecrãs com material de alta qualidade, adequado à idade. Não devem ser utilizados de forma solitária, mas sim interativa, na companhia do adulto, explicando o que está a ver ou a acontecer. E não é bom habituar a criança a comer distraída com ecrãs.
  • Dos 2 aos 5 anos –  recomenda-se até 1h por dia de ecrã, com programas apropriados para a idade. O tempo de televisão deve ser acompanhado pelo adulto e enriquecido com comentários e perguntas sobre o que está a acontecer e da relação dessa experiência com o mundo real.
  • A partir dos 6 anos – os pais devem colocar regras claras sobre o horário e tempo de utilização dos ecrãs, de forma a não substituir outro tipo de brincadeiras, com maior riqueza relacional e exercício físico. É igualmente fundamental garantir um tempo de sono adequado.

É importante notar que o facto de um programa passar num canal infantil, não significa que seja apropriado. Muitos programas têm conteúdos pobres, tolos, desadequados pela violência, ou constituem maus exemplos de comportamento e desrespeito aos adultos, que são apresentados com se tivessem piada.

Quando aos jogos de vídeo, algumas crianças podem mesmo tornar-se viciadas, isto é, dependentes. Pensam neles a toda a hora, têm sintomas de privação como a irritabilidade, deixam de conseguir divertir-se de outras formas, não querem participar nas atividades familiares, negligenciam o sono e a escola. Ficam cada vez mais alienadas e, mesmo, deprimidas.

Dicas práticas

Os problemas previnem-se: dê uma dieta saudável de ecrã aos seu filho!

  • É importante estipular períodos do dia sem ecrã, como o jantar, pequenas viagens ou o tempo em família) e zonas da casa sem TV (é totalmente dispensável no quarto!).
  • Defina quanto tempo de ecrã pode ter nos dias de semana e fins de semana e garanta que cumpre o combinado. Estas regras podem até estar afixadas em algum lado para todos se lembrarem. Os pré-avisos antes do fim do tempo podem diminuir as birras e a irritação.
  • A questão da segurança online daria um artigo por si – é necessário capacitar a criança para não correr riscos e supervisionar os programas e conteúdos online.
  • Por vezes, é necessário que os pais tenham um papel facilitador dando novas ideias para divertimento e ocupação do tempo, organizando atividades, estando disponíveis para participar, sendo bons modelos do uso racional dos ecrãs.

Numa geração em que tudo acontece a grande velocidade, é frequente o comentário impaciente dos jovens: “não há nada para fazer” (sem ecrã, entenda-se). Contudo, quando o acesso ao ecrã é limitado, as crianças são capazes de encontrar formas alternativas de se divertirem. Vai fazer a sua parte? Você consegue dar um futuro melhor ao seu filho, comece hoje!

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Filipe Glória Silva

Pediatra do Desenvolvimento Developmental Pediatrician

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